sexta-feira, 20 de abril de 2012

Perdendo.

domingo, 25 de março de 2012

Livra?
Livro.

Do que não me alembro
Mas que ainda alumbra

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ando,
nasço ontem.
vivo amanhã.

Agora, a

ausência

a

aturar viva a

complacência

como forma

a resignação

sábado, 10 de março de 2012

Invenção

Dia desses surgi com a mínima: "a literatura é um suicídio às avessas".

Em outras (melhores) páginas (de fato), ler-se-ia "odradek". Mas esta não é uma metáfora que mereça uma nova palavra no dicionário.

Desde então, venho me remoendo entre as noções avessas ao suicídio e os avessos suicidas. Afinal, se suicídio é tirar-se a vida, o oposto disso é dar-se vida, certo?

Porém, entender as ideias que nos ocorrem entre uma página e outra exige mais do que a lógica dos antônimos. Simplesmente porque se pensa nisso quase num modus operandi, um contínuo palavrapalavra.

É aquela ideia que não arreda o pé da gente, mas também não quer ser compreendida. Veja só, uma frase boba, ordem direta, sujeito simples, verbo, objeto direto, adjetivo, x=y -- e, ainda assim, enigma.

Nessas horas, a linguagem nos dá um susto.

Pensemos, pois. O máximo foi uma hipótese: talvez a gente morra em uma coisa e nasça noutra, não é nem uma transcendência. Só outra coisa, diferente. Vá lá, aos simplistas: não quero dizer "puxa, como cada livro muda a gente, né?". Mas para que a literatura exista, para que sejamos autores, leitores ou decoradores de estantes, nosso próprio sujeito deve devir. Ninguém entra no jogo e sai incólume. Apenas porque, nesse jogo, o mundo é outro.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ajenas

bem, mais uma vez, não era você. E não vai ser até que a tarde estoure meus miolos com o calor janela adentro, e sua voz caminhará com piedade e uma culpa dissimulada pelas paredes. E, como sempre, eu fecharei a porta, desculpas desculpas. E você repetirá que me entende - um sussurro depois, o cansaço que sairá de sua respiração e talvez provocará um leve movimento na gola de sua camisa.

A confusão, veja bem, é grande. E o espírito, pequeno.

Veja, note que me privo quieta, entregue às compassadas voltas das horas ajoelhadas sobre meu eu silêncio guarda atrás dos óculos e - estes - não conseguem palavra atrás de sílaba, verbo a travessão. Não tem coisa alguma, história coisa nenhuma. Só a umidade convulsa que se cobre com a escuridão e, claro, com todo o resto.

Mas você dirá que eu sou forte, e eu responderei com um trovão.

Você pedirá que eu pare, eu assentirei com os olhos baixos, desviarei até a porta, sugerindo a saída possível, a coisa muito grande.

O infinito, eu direi. Sentarei no ar, tão longe que você não ouve, não chegará a tempo de ouvir.

Eu olharei para onde o medo se desesconde, pequeno como o inseto que agora olha, desafia, derrota.

Grito.

No fim, só queria que dissesse algo, alguma coisa qualquer, bonita, e me fizesse dormir.

Na verdade, pode falar. Não tenha medo. Eu só queria saber onde estão seus olhos.
Take you to the forest and let you feel the raindrops falling down, seeping through your redscales. Eliminate the faucet, eliminate the need for water, replace it with a safe shell.

("Penelope")

Difícil

Mais daquelas, dentre tantas outras - tantas e infinitas, até mesmo a ordem cravada em estrelas e satélites é (eterna) zombaria a mais.

Lâminas (precisas), ápice da palavra

estoura

-me do egoísmo úmido e,

enfim,

A estupidez,

O torpor,


A Insônia.

Soberanas!

Vêm, mais uma vez.

Daquelas mais.